Na exposição do Tim Burton para enfrentar: Traumas da modernidade

Na exposição do Tim Burton para enfrentar: Traumas da modernidade

Maria José Rocha Lima
Hoje, assisti na TV Brasília, uma matéria chocante: um filho que após jogar tiner na cara da mãe; intencionava matá-la não fosse o socorro dos vizinhos, que acionaram a polícia. O motivo por ele alegado é que a mãe teria negado dinheiro para ele tomar uma cervejinha. Eu ando traumatizada com meus coleguinhas “humanos”. É tanta crueldade, tantos golpes baixos de uns contra os outros, que apavora os que ainda guardam “traços humanóides”. Tinha razão o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, quando afirmava que “na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria” Embora concorde com Bauman, acho a afirmação, ainda, moderada frente à situação de descalabro, de miséria espiritual, que melhor se apresenta, como um retrocesso civilizatório. São pai e mãe matando filhos; filhos e netos explorando pais e avós, quando não os assassinam, para apressar o gozo dos bens; negligência e abandono de crianças pequenas; crianças virando objeto de ostentação, de demonstração de potência juvenil e/ou moeda de troca, nas mãos de pessoas inescrupulosas, que buscam a garantia do sustento vitalício, sem esforços; naturalização do incesto; práticas de abusos, inclusive sexual; estupros, principalmente de vulneráveis. E o que me dizem, do estilhaçamento da família, com o estímulo a pratica do poliamor, prática abolida na maioria das sociedades tradicionais, em recantos distantes da civilização planetária? Fui a um curso de Psicanálise no Rio de Janeiro e uma cidadã, além de defender o poliamor na teoria, queria me apresentar um núcleo de poliamor, em funcionamento numa instituição de pesquisa. Pasmem! Tudo isto, vira fichinha frente às práticas consideradas desrespeitosas ao ser humano, em Bauman. Claro, que estou usando força de expressão, para elevar ainda mais as críticas do polonês. Ele fala que os seres humanos vêm mostrando falta de consideração com o outro, ser humano. E que isto, se revela nas pequenas coisas do cotidiano, como: “telefonemas não retornados; e-mails que não são respondidos; na falta de atenção no contato pessoal; um ser humano não ser levado a sério por não atender a algum interesse pragmático do outro” Também destaca, que neste caso de uma pessoa não representar algum valor e por isso mesmo ser ignorado, “só confirma que o sujeito virou mercadoria”. E o autor continua: “Isso, afeta nosso sentimento de valor com direito á deferência”. E o autor prossegue: “Não somos vistos como pessoas com uma subjetividade, mas como mercadorias a serem utilizadas”. Como o ser humano tudo faz para se adaptar ao meio social, vai se esforçando para ser reconhecido como alguém, algo de valor (mercadoria), com sérias repercussões no funcionamento psíquico. Esta é uma situação que deve ser trabalhada em situações de análise, para que as pessoas compreendam a origem do seu mal-estar, percebendo que esta desconsideração é característica da subjetividade social, da qual ninguém está livre. A não ser se tornando uma celebridade, autoridade importante no seu meio e mesmo assim, fora de sua área de influência será tratado como mercadoria. Quantos depois de ocupar posições relevantes, se sentem totalmente desconsiderados?
Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em Educação. Foi deputada estadual de 1991 a 1999. É Fundador da Casa da Educação Anísio Teixeira.

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