CADA UM CUIDE DE SUA SUJEIRA

CADA UM CUIDE DE SUA SUJEIRA

Miguel Lucena*
“Que droga que nada, doutor! O lixo é o verdadeiro ouro.” A frase, do mafioso italiano Nunzio Perrela, membro da Camorra, ao fazer delação premiada, dá uma pista de como o negócio do lixo é conduzido no mundo, envolvendo o crime organizado e a corrupção político-administrativa.
Ninguém mexe nesse vespeiro. Até os mais afoitos ambientalistas falam manso e devagar sobre o assunto, nunca passando de soluções além dos ultrapassados aterros sanitários.
Além de ser lucrativo, o negócio do lixo revela uma face ruim da humanidade: a de não estar nem aí para o tráfico dos resíduos para os países pobres. Vale a máxima de cada um por si, primeiro o meu pirão e os outros que se lasquem, como o amigo que prestou um serviço ao outro e nem quis saber das dificuldades relatadas por ele, pedindo um prazo para acertar as contas: – Eu quero é receber o meu! – disse assim, sem dó.
A Polícia Federal iniciou em 2009 uma investigação sobre o tráfico de mil toneladas de lixo da Europa para o Brasil. A sujeira dos ricos chegou em contêineres pelo Porto de Santos/SP e de Rio Grande/RS. Vieram até dejetos hospitalares. Caiu um silêncio sepulcral sobre o assunto. Para enganar, movimentos inventam umas ondas azuis por aí e mobilização para a proteção de sibitos.
O Canadá enviou, em 2014, 2 mil toneladas de lixo em 69 contêineres para as Filipinas. Os canadenses, tão avançados e modernos, sujam como qualquer pessoa, mas acham cômodo que a sujeira vá para longe. Ainda aparecem esnobes para chamar os semelhantes de sujos e atrasados. Cadê os protestos ambientalistas no país norte-americano?
E agora ficamos sabendo que 90% do lixo eletrônico vão para países africanos. No Oeste de Acra, capital de Gana, pilhas de computadores velhos, telas de TVs, notebooks e capas de plástico queimam numa grande fogueira permanente. Enquanto uma fumaça preta escurece os céus, catadores recolhem fios de cobre, metais preciosos e placas-mãe.
Cada um cuide do seu lixo. Estamos por aqui de fingimentos!

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor

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