As histórias da infância e as vocações

Maria José Rocha Lima*

A educação entrou na minha vida por meio de encontros muito felizes com professores e parentes. No curso primário encontrei-me com a professora Alice Magalhães, pura sorte.

A minha primeira historinha logo que ingressei na escola: eu precisava ingressar no curso primário, quando minha mãe, Dona Terezinha, num dia raro, entrou numa escola cuja beleza da fachada ela admirava e tinha o o nome Nossa Senhora das Graças, pediu para falar com a diretora e perguntou-lhe se tinha bolsa de estudos para alunos pobres, argumentando que a sua filha era muito inteligente, por isso queria uma boa escola.

Dona Alice explicou-lhe que não tinha bolsa, mas ponderou: – Vamos ver como está sua Maria?

Na mesma hora, me fez uma série de perguntas de português; de tabuada e geografia. E, ao final, confirmou que a menina era muito inteligente”. Prometeu pensar no meu caso e perguntou: – A senhora aceitaria bolsa de estudos, em regime de internato?

Minha mãe voltou, no dia seguinte, e eu fui matriculada na Escola Nossa Senhora das Graças, na Orla da Ribeira, em Salvador, na qual estudavam internos filhos de fazendeiros da região de Ilhés e Itabuna, enfim, os ricos cacauicultores do Sul da Bahia.

A escola ficava à beira mar, era bonita;l, organizada e havia uma rotina intensa de estudos. Havia formação em canto, coral, piano e regras de etiqueta. Nesta última eu precisava ter me aplicado mais.

No mês de maio, rezávamos às noites a Trezena de Nossa Senhora, diante de um belíssimo altar, que mudava a ornamentação a cada dia, sempre lindamente preparado.

Naqueles dias os cânticos eram acompanhados ao piano ou violino. Eram servidas guloseimas e acontecia a melhor de todas as coisas: naquelas noites dedicadas a Nossa Senhora podíamos dormir mais tarde.

Como fui feliz, naqueles primeiros anos escolares. Dava uma choradinha à noite com saudade de casa, mas sentia-me muito bem, sob a rigorosa disciplina exigida por Dona Alice e com os intimidadores beliscões da Professora Cotinha, que tomava a lição de leitura em voz alta, sem poder gaguejar. Eu treinava loucamente para nunca tomar os tais beliscões. Acho que daí veio o meu gosto por leituras; pelo teatro e pela oratória.

Naquela escola, estudei da 1ª à 3ª série primária.

Obrigada, Professora Alice!

*Maria José Rocha Lima é mestre e doutoranda em Educação. Deputada na Bahia de 1991 a 1999, é fundadora da Casa da Educação Anísio Teixeira, atualmente sediada em Brasília.

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